Contra os inimigos experimente a água da paz


Algumas pessoas trazem muita raiva dentro de si e jogam setas envenenadas em quem quer que passe por perto delas. Às vezes somos atingidos por uma, sangramos, sentimos dor e temos que impedir de sermos contaminados pelo veneno, para não começarmos a agir como elas. 

Andei meio triste e irritada, mesmo recebendo tanta orientação da espiritualidade para não me deixar levar por essa onda de negatividade. Afinal, reconheço que estou longe da condição de angelitude. 

A irritação é um incômodo que faz aflorar a raiva, companheira do medo, a emoção contrária ao sentimento de amor. Como um animal quando sente dor, tendemos a atacar o que representa perigo, reação para garantir a sobrevivência. A agressão acontece de várias formas, além do ataque físico. Uma crítica destrutiva, um insulto, um julgamento e na maledicência. É um sinal de insegurança diante de sua vítima. Quem ataca seu próximo com palavras grosseiras e desdenha de seu semelhante esconde por detrás dessa camada de raiva uma enorme carência, a falta de autoamor. 

Ouvindo uma palestra, dias atrás, o orador lembrou uma passagem de Chico Xavier que, entre suas experiências, contou que certa vez foi aconselhado por sua mãe, espiritualmente, para que, quando irritado e triste, diante das críticas à sua pessoa e ao seu trabalho, fizesse o seguinte: 

Pegasse um copo com água, bebesse um pouco, conservando o resto na boca, sem engolir. E enquanto durasse a tentação de responder, que deixasse a água banhando a língua. Esta é a água da paz.

Algo importante a trabalharmos em nós mesmos. A irritação está presente nos relacionamentos humanos, destruindo lares e nações. Inflamando o egoísmo que se converge em discussões e violência. Um veneno mortal que tem se mostrado relevante na condição atual do planeta. Precisamos aprender a lidar com a irritação, sem deixar que o ímpeto de agressividade nos tome, fazendo reagir. A irritação é um incômodo que “cutuca” a gente. Como pode alguém ir contra o que eu penso, o que eu digo e faço?

A irritação é comum a todos nós, cada um, em maior ou menor intensidade e frequência. Dá uma coceira na língua, uma vontade louca de responder. E o que quero provar com isto? Que tenho razão e a pessoa não... 

Na verdade, ela me atingiu, sua seta certeira feriu meu ego, meu orgulho. Eu não preciso provar nada para ninguém, não preciso dar a última palavra, não tenho que responder e entrar em sintonia com o que eu não desejo em minha vida, em meu espaço interior. Nem quero guardar remorsos em meu coração. Quero aprender a cultivar a paz, principalmente a paz interior. 

Não vou deixar de realizar o que acredito como bom e correto em minha vida, perdendo o meu equilíbrio, revidando. Se o fizer, estarei aceitando a agressão e sua energia destrutiva. Escolhemos com quem compartilhar nosso espaço sagrado e o que vamos plantar. Jogamos as sementes, distribuímos aos que estão próximos e tentamos semear juntos. Quem não concorda com o plantio não precisa participar. Quem quer plantar outro fruto, que fique à vontade. Cada um de nós tem o Livre-Arbítrio para experimentar, sem o julgamento alheio. 

Responder a uma agressão nos torna, também, agressores. Não é reprimir a irritação, o que não seria saudável. É se posicionar diante dela, antes de qualquer reação e perceber que aquele agressor deseja nos desarmonizar, fazer cairmos aos seus pés, sofrendo de raiva e admitindo a importância de sua empreitada maldosa. Aprendi que eu não terei inimigos se não cultivá-los em meu mundo íntimo. Ninguém é responsável pelo que nutro em mim e os inimigos nunca estão do lado de fora. Eles estão dentro de nós, nossos impulsos internos que deixamos crescer como ervas daninhas. Assim é a irritação agindo dentro de cada um de nós. 

Para tanto, podemos fazer a agressão que nos é dirigida perder seu impacto para não nos desmoronar. A água da paz tem um significado muito profundo. É não reagir de forma impulsiva e explosiva. Ficar quieto, silenciar e entrar em contato com a irritação. Tirar o poder do ego e se conectar com o poder do pacificador. A raiva é como uma bomba que provoca grande estrago em nós. O que fazer com ela?

Leve-a para um canto, acenda um incenso, coloque uma música suave e sente-se com ela. Observe-a, a partir de seu fluxo respiratório e de seu corpo. Perceba como você está contraído, suas articulações, sua fisionomia. Vá soltando e desfazendo seu corpo desta posição de ataque. Vá aos poucos mudando seu fluxo respiratório, acalmando, inspirando e expirando lenta e profundamente. O tempo todo seu ego tentará lhe tirar do comando. Ele dirá que você está agindo como um “banana”. Não lhe dê atenção, continue a dissolver a irritação. 

Pode ser que demore alguns dias ou até algumas semanas para se desprender desse sentimento e desfazer a energia estagnada. Porém, não desista. Vá substituindo a conversação com o ego pela conexão com o Todo. Deixando o orgulho de lado que separa uns dos outros, aceitando humildemente as próprias fraquezas, assim como Chico Xavier que, nos revelando suas fragilidades, tornou-se muito mais forte.

O egoísmo faz nos sentirmos como um grão de areia insignificante, enfraquece-nos e amedronta. Coloca nossa autoestima lá para o fundo do poço. O ego não sabe o que é amor. Ele não nos ama e não consegue amar o próximo. Ele nos faz lutar contra nosso ser maior ao qual pertencemos, a consciência do Todo, do Um. Não despreze ninguém e também não sinta ódio. O desprezo é um sentimento de superioridade do ego e o ódio representa a ilusão de inferioridade. 

Este é o meu e o seu aprendizado. Este é o nosso destino, aprender a amar incondicionalmente. Respeite o seu semelhante sem ter que, no entanto, concordar com ele. Assumindo sua posição de forma pacífica e consciente. Para anular a força do bruto, somente a delicadeza do amor. 

Seja amor!

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